Desde a Antiguidade
até ao surgimento das gazetas durante os séculos XVI e XVII surgiram diversos
dispositivos de difusão de notícias que de certa forma se podem considerar
pré-jornalísticos. Entre os vários que surgiram podemos destacar três
distintos: as Crónicas Medievais, as Cartas Informativas e os Relatos de
Viagens.
As Crónicas
Medievais, antepassadas da reportagem, situam-se na intercepção da história com
a literatura e o jornalismo, mantendo vários dos cânones expressivos e dos
temas fixados na antiguidade clássica. Os cronistas registavam, essencialmente,
os acontecimentos protagonizados por nobres e monarcas. Alguns cronistas
enveredaram por uma descrição factual desses acontecimentos, enquanto outros
procuraram engrandecer a imagem dos senhores que serviam. O estilo dos
primeiros é eminentemente reportativo jornalístico e historiográfico.
As Cartas
Informativas, elaboradas por monges, cronistas, diplomatas, funcionários de mercadores
e outras personalidades, serviam para o envio de notícias e comentários para
lugares distantes, constituindo-se, portanto, como um dos dispositivos
pré-jornalísticos. As cartas cultivavam as estruturas clássicas para contar
novidades, embora fossem demarcadas pelas caraterísticas específicas do género
epistolar. A este propósito, porém, é de relembrar que muitas reportagens e
crónicas do jornalismo atual simulam o género epistolar.
A par das crónicas e
das cartas, os relatos de viagens constituem outro dos dispositivos
pré-jornalísticos medievais. O mais conhecido será o relato da viagem de Marco
Polo à China. Nesse livro, é narrada a descrentes europeus ocidentais a vida no
Oriente e os serviços que Marco Polo prestou ao Imperador chinês. Os relatos de
viagens, além de fundarem a literatura de viagens, em alguns pormenores
aproximam-se da reportagem, tal como acontece com as crónicas.
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