sábado, 30 de maio de 2015

Dispositivos Pré-jornalísticos

Desde a Antiguidade até ao surgimento das gazetas durante os séculos XVI e XVII surgiram diversos dispositivos de difusão de notícias que de certa forma se podem considerar pré-jornalísticos. Entre os vários que surgiram podemos destacar três distintos: as Crónicas Medievais, as Cartas Informativas e os Relatos de Viagens.

As Crónicas Medievais, antepassadas da reportagem, situam-se na intercepção da história com a literatura e o jornalismo, mantendo vários dos cânones expressivos e dos temas fixados na antiguidade clássica. Os cronistas registavam, essencialmente, os acontecimentos protagonizados por nobres e monarcas. Alguns cronistas enveredaram por uma descrição factual desses acontecimentos, enquanto outros procuraram engrandecer a imagem dos senhores que serviam. O estilo dos primeiros é eminentemente reportativo jornalístico e historiográfico.

As Cartas Informativas, elaboradas por monges, cronistas, diplomatas, funcionários de mercadores e outras personalidades, serviam para o envio de notícias e comentários para lugares distantes, constituindo-se, portanto, como um dos dispositivos pré-jornalísticos. As cartas cultivavam as estruturas clássicas para contar novidades, embora fossem demarcadas pelas caraterísticas específicas do género epistolar. A este propósito, porém, é de relembrar que muitas reportagens e crónicas do jornalismo atual simulam o género epistolar.

A par das crónicas e das cartas, os relatos de viagens constituem outro dos dispositivos pré-jornalísticos medievais. O mais conhecido será o relato da viagem de Marco Polo à China. Nesse livro, é narrada a descrentes europeus ocidentais a vida no Oriente e os serviços que Marco Polo prestou ao Imperador chinês. Os relatos de viagens, além de fundarem a literatura de viagens, em alguns pormenores aproximam-se da reportagem, tal como acontece com as crónicas.

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