domingo, 31 de maio de 2015

O Nascimento do Jornalismo Moderno no Século XVII

Foi com a divisão da Europa no século XVII em dois tipos de organização política, a monarquia absolutista de França e o parlamentarismo em Inglaterra. Com o avanço do processo colonial, a alfabetização aumentava e a sociedade que estava sujeita a transformações necessitava de informação. Posto isto, havia não só a recetividade para as noticias, como também matéria-prima informativa suficiente para sustentar o aparecimento dos primeiros jornais, denominados Gazetas.
A sua aparição deu-se em França com o lançamento de La Gazette Français de Marcellin Allar e Pierrs Chevalier (1604), espalhando-se em seguida pela Europa.
As principais características das gazetas eram:
  • Textos simples;
  • Possuíam data e local
  • Menção às fontes;
  • Narrativa cronológica;
 Além destas característica era possível notar que:
  • A primeira página continha o título e às vezes era ilustrada mencionando a data e o local de edição e o nome do editor;
  • Inclusão de várias notícias sobre assuntos variados;
  • Periodicamente semanal e depois bissemanal e trissemanal até chegar à diária;
  • Publicitação de notícias do dia anterior, o que reconstrói a noção de atualidade;
  • Existência de profissionais dedicados a redação, paginação e impressão;
  • Inclusão de anúncios pagos, o que diminuiria seu preço tornando as gazetas mais acessíveis às pessoas;
O aparecimento das gazetas permite afirmar que o jornalismo noticioso é uma invenção europeia dos séculos XVI e XVII, com raízes remotas na antiguidade clássica e antecedentes imediatos na Idade Média e no Renascimento.

Há que dizer que as gazetas tinham uma circulação relativamente restrita por causa dos baixos índices de alfabetização e também por causa do preço, bastante elevado para a época.

sábado, 30 de maio de 2015

Dispositivos Pré-jornalísticos

Desde a Antiguidade até ao surgimento das gazetas durante os séculos XVI e XVII surgiram diversos dispositivos de difusão de notícias que de certa forma se podem considerar pré-jornalísticos. Entre os vários que surgiram podemos destacar três distintos: as Crónicas Medievais, as Cartas Informativas e os Relatos de Viagens.

As Crónicas Medievais, antepassadas da reportagem, situam-se na intercepção da história com a literatura e o jornalismo, mantendo vários dos cânones expressivos e dos temas fixados na antiguidade clássica. Os cronistas registavam, essencialmente, os acontecimentos protagonizados por nobres e monarcas. Alguns cronistas enveredaram por uma descrição factual desses acontecimentos, enquanto outros procuraram engrandecer a imagem dos senhores que serviam. O estilo dos primeiros é eminentemente reportativo jornalístico e historiográfico.

As Cartas Informativas, elaboradas por monges, cronistas, diplomatas, funcionários de mercadores e outras personalidades, serviam para o envio de notícias e comentários para lugares distantes, constituindo-se, portanto, como um dos dispositivos pré-jornalísticos. As cartas cultivavam as estruturas clássicas para contar novidades, embora fossem demarcadas pelas caraterísticas específicas do género epistolar. A este propósito, porém, é de relembrar que muitas reportagens e crónicas do jornalismo atual simulam o género epistolar.

A par das crónicas e das cartas, os relatos de viagens constituem outro dos dispositivos pré-jornalísticos medievais. O mais conhecido será o relato da viagem de Marco Polo à China. Nesse livro, é narrada a descrentes europeus ocidentais a vida no Oriente e os serviços que Marco Polo prestou ao Imperador chinês. Os relatos de viagens, além de fundarem a literatura de viagens, em alguns pormenores aproximam-se da reportagem, tal como acontece com as crónicas.

Penny Press

Foi no século XIX que a imprensa popular surgiu e se desenvolveu, diferenciando-se do modelo do jornalismo até então político e de ideias. O conceito “Penny Press” surgiu nos Estados Unidos com a criação de jornais maioritariamente noticiosos, politicamente independentes, baratos e com um discurso acessível e direcionados para as pessoas comuns.

Eram jornais generalistas, com elevadas tiragens, que na última década do século já atingiam mais de um milhão de exemplares, predominantemente noticiosos, apelativos, com textos simples, uso de imagens e machetes, grafismo inovador, títulos apelativos em termos de conteúdo e no aspeto gráfico, de preço reduzido (daí o nome Penny Press).

A sua aparição nos Estados Unidos deveu-se ao clima político, tecnológico e económico propício e há existência de cidades de grande dimensão, facilitando assim a interação social e as vendas. A “Penny Press” é a designação que se dá a um modelo de jornais de baixo preço e populares. Tornaram-se populares entre o público americano devido ao facto de estes custarem um centavo, ao contrário dos outros que custavam por volta de seis centavos. O preço reduzido fez com que que os jornais e as notícias estivessem disponíveis para que todos os cidadãos pudessem assim comprar um jornal e ler as notícias. À medida que este tipo de jornal se afirmava entre a população, mais importante se tornavam as notícias e o jornalismo. As alterações feitas ao modelo do jornal durante a era do “Penny Press” modificaram a forma como os jornais funcionam, perdurando até aos dias de hoje.